AGENDA NEW SPACE PORTUGAL

O projeto New Space Portugal, uma das agendas mobilizadoras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), é um consórcio de 41 entidades que tem como objetivo colocar Portugal na vanguarda dos mercados globais do sector espacial mundial com o desenvolvimento, produção e lançamento de satélites de Observação da Terra.

O CTI Aeroespacial participa nos WP10, 12, 14, 16 e 18, focando-se no desenvolvimento da componente SAR (satélites com radares de abertura sintética), na edificação de instalações para o futuro fabrico de satélites, na criação de uma plataforma de dados para a defesa e no apoio ao desenvolvimento da próxima base de lançamento da Força Aérea Portuguesa.

WP10 (PPS8) – Constelação Synthetic Aperture Radar (SAR)

O WP10 visa introduzir uma componente SAR (Synthetic Aperture Radar) na Constelação do Atlântico para reforçar a vigilância da ZEE (Zona Económica Exclusiva) de Portugal, independentemente das condições meteorológicas ou de luminosidade. Este PPS consiste na aquisição do primeiro satélite SAR da constelação, o CA01, lançado a 30 de março de 2026. Atualmente, o CA01 já concluiu a fase de LEOP (Launch and Early Operations Phase) e encontra-se em Commissioning, com conclusão prevista para os próximos meses.

WP12 (PPS10) – Satellite Manufacturing Facilities

Este PPS consiste numa infraestrutura física em Alverca para o desenvolvimento, construção, integração e teste de satélites de média dimensão (até 500kg). Dado o nível de ambição da Agenda New Space Portugal, a expansão pós-PRR da Constelação do Atlântico e as novas oportunidades em programas europeus como o "Earth Observation Governmental Services" (CE), o "ERS" (ESA) e os conceitos de constelações federadas (EDF e NATO), a criação de infraestruturas nacionais para o desenvolvimento de satélites não pode ser desperdiçada. A infraestrutura terá capacidade para desenvolver, produzir e testar até 8 satélites por ano, com pelo menos duas salas limpas (ISO-7 e ISO-5), permitindo trabalho simultâneo em projetos comerciais e classificados, nomeadamente com a ICEYE.

WP14 (PPS12) – Atlantic Constellation SAR NexGen

Este PPS visa o reforço da componente SAR da Constelação do Atlântico. Face ao atual contexto geopolítico e à crescente interdependência entre o setor espacial e a defesa, identificou-se a necessidade de garantir 4 revisitas diárias com resolução mínima de 50 cm, justificando-se ainda a criação de uma nova geração de capacidade SAR, complementar às capacidades VNIR do PPS11. Este PPS consiste na construção de 2 satélites SAR em parceria com a ICEYE, com entrega prevista até junho de 2026 e lançamentos até ao final do mesmo ano.

WP16 (PPS14) – Atlantic Defence Data Hub

O Atlantic Defence Data Hub é uma iniciativa estruturante que visa reforçar a autonomia estratégica e tecnológica nacional e a sua articulação europeia, assumindo-se como infraestrutura crítica de apoio à operação da Constelação do Atlântico. Prevê a consolidação de um centro de processamento e armazenamento seguro de dados, complementado por ground stations, serviços cloud e ferramentas digitais (DT Tools), que asseguram interoperabilidade, escalabilidade e resiliência. A capacitação de recursos humanos especializados é também um eixo central, garantindo uma operação autónoma e contínua, com foco na segurança, soberania e resposta atempada.

WP18 (PPS16) – Air Force Space Base

A "AIR FORCE SPACE BASE" é uma infraestrutura nacional de acesso ao espaço, com utilização dual (comercial e Defesa), projetada para garantir autonomia estratégica de lançamento em território nacional e para a Europa. Liderada pela Força Aérea Portuguesa, inclui capacidades de integração, armazenamento, lançamento, monitorização e controlo de veículos espaciais, com instalações para lançadores de pequena e média dimensão. Localizada em Santa Maria, Açores, beneficia de uma posição geoestratégica excecional para lançamentos em direção a Sul, com corredores aéreos e marítimos menos congestionados do que Kiruna, Andøya ou regiões do Reino Unido. As vantagens meteorológicas e orbitais dos Açores permitem acessos frequentes, seguros e economicamente viáveis.